O senador Jarbas Passarinho (PPR-PA) est com a corda toda. Aos 74 anos, em boa forma fsica e mental, conquistou at uma namorada de 39, a bonita Armnia, gerente do Banco do Brasil. Na presidncia da CPI, somou mais elogios que crticas, alm da sbita popularidade, a maior de sua vida pblica, iniciada ao entrar no Exrcito, em 1943, de onde saiu coronel em 1964 para ser governador binico do Par.

Passarinho  cumprimentado no aougue, na rua, no cinema. Quando foi a So Paulo gravar entrevista no programa de J Soares, ficou surpreso com o modo como foi recebido pelas pessoas no aeroporto de Cumbica. Muitos saam da fila para dizer que continuasse o trabalho e pedir autgrafos. "Estou at preocupado", diz Passarinho. "Se essa CPI no der resultado, em vez de palmas vou levar  um soco na rua."

Na CPI, sua atuao foi ao mesmo tempo enrgica e bem-humorada. As piadas e citaes variaram do erudito  simples galhofa. Como no dia em que resolveu definir a CPI: "Ela funciona como um suti. Corrige os desviados, contm os exaltados e revela os decados."

Experiente, fez "vazar" algumas informaes para a imprensa embora mantivesse a proibio aos demais parlamentares. Chegou a trancar um documento em seu cofre para impedir sua divulgao. No trato com a mdia eletrnica, chega ao requinte de carregar no bolso do palet um pedao de cartolina branca. Sempre que uma emissora de TV deseja entrevist-lo, expe o carto e oferece: "Quer bater o branco?" Os cinegrafistas lhe so gratos. A filmagem de uma superfcie branca  indispensvel para o ajuste de cores das cmeras.

J na reta final, surgiram as maiores crticas. Nos bastidores, alguns deputados diziam que estava protegendo a Fundao Roberto Marinho. Outros se queixavam que teria dificultado as investigaes em torno do governador Joaquim Roriz. De viva voz, os mesmos parlamentares afirmavam apenas que "conduziu bem" os trabalhos.

A atuao de Passarinho na CPI ajuda a deixar cada vez mais distante o tempo dos bilhetes do SNI alertando: "Iminente sequestro". Era o perodo ps AI-5, que o senador assinou como ministro do Trabalho de Costa e Silva. Curiosamente, mesmo quem sofreu naquela poca no guarda mgoa dele. "No tenho rancor", diz Maurlio Ferreira Lima (PSDB-PE), cassado pelo AI-5.

O ex-guerrilheiro Jos Genono (PT-SP), que trocou presentes com Passarinho no final do ano, conta que a ligao entre os dois comeou durante o Congresso constituinte, quando o senador presidiu a subcomisso do Estado e Foras Armadas. "Ele  imparcial quando preside, eu disputava com Fiuza e ele soube conduzir muito bem", diz Genono. Os dois s evitam conversar sobre guerrilha do Araguaia, para evitar "constrangimentos".

Uma qualidade que todos reconhecem em Passarinho, alis,  que sempre assumiu ter sido um homem do regime. Defende o Exrcito com unhas e dentes e, na reserva j h 29 anos, tambm fala em nome dos cidados comuns. H um ms, perguntado sobre uma suposta obtusidade dos homens de farda por um reprter, respondeu com uma de suas tiradas filosficas: "Os militares pensam que so monopolistas do patriotismo e os civis pensam que so monopolistas da inteligncia."
